Eu tenho um pensamento recorrente: o quanto eu, você e todos nós somos inteligentes?
Sempre tive reforços positivos sobre o que chamamos de inteligência, em família. Como se eu tivesse algo acima da média. Entretanto, quanto mais velho eu fico, mais graça eu vejo nisso tudo.
Me divirto pensando como eu posso ter sido enganado, todo esse tempo, por não ter ferramentas pra entender o triste óbvio entre nós: a nossa média é muito ruim.
Essa média ruim, inclusive, virou uma piada (com base num boato/fake news) sobre o brasileiro médio ter QI 83.
E olha: não é que eu me ache burro. Mas a cada dado que eu conheço, me dou conta de que só sou “acima da média” porque a nossa média, a média brasileira, é muito ruim.
Há um tempo atrás, dando uma olhada nos dados do PISA, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, vi o quanto os resultados Brasileiros têm números díspares dos Sul-Coreanos.
Pra minha surpresa (e espanto), os melhores resultados brasileiros eram comparáveis à média dos resultados coreanos!
É como se nossos futuros melhores fossem apenas comuns na Coréia do Sul. Enquanto os melhores deles não são alcançáveis aqui.
Em maio de 2025, tomamos conhecimento de mais um dado que deveria ser estarrecedor no Brasil: o indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), fez uma pesquisa mostrando que 1 em cada 3 brasileiros são analfabetos funcionais. Ou seja, não conseguem ler e interpretar textos básicos para a vida em sociedade.
Pior ainda é que a pesquisa mediu que cerca de 12% dos entrevistados que tinham nível superior concluído no Brasil também eram analfabetos funcionais! Ou seja: uma em cada 10 pessoas que fez a chamada faculdade.
A pesquisadora entrevistada no canal DW, Ana Lúcia Lima, pesquisadora que participou da pesquisa, também citou a diferença que uma família com nível educacional melhor faz na vida da pessoa estudante.
Em suma, das muitas das coisas que a escola se propõe a ensinar, há uma parte que não se aprende nela, mas sim nas próprias casas dos estudantes.
Nesse fluxo, a minha pergunta inicial se mantém: será que eu realmente sou inteligente?
Será que se tivéssemos uma massa de pessoas com boa instrução, leitores, pensadores, em famílias com mais de 5 gerações de pessoas plenamente alfabetizadas e instruídas, eu teria o mesmo espaço para conseguir estudar e arrumar trabalho?
Vai ter gente dizendo que é síndrome do impostor, e tal… Mas o que estamos falando é sobre encarar a realidade brasileira mesmo.
Até porque, mesmo com tantos dados e reflexões, muita gente ainda acredite que tudo que tem é fruto de seu próprio mérito pessoal.
Agora, imagine competir com um contingente de pessoas altamente instruídas e qualificadas… eu teria alguma chance?
Na Coreia, parece que a competição é assustadora.
Eu não sei. Talvez, né!