Eu não consigo mais escrever “à brinca”. Aquela coisa de escrever só pra expor minhas ideias, sem compromisso, morreu.
Há um tempinho que eu só faço algo se “valer um ouro”. Nem que seja só status.
Desde os textões do falecido Facebook (que a Meta o tenha), essa coisa de escriba perdeu completamente a graça pra mim.
Hoje, eu prefiro gravar vídeos. Ou melhor ainda: prefiro escrever um tweet.
Gosto ainda mais de frases únicas. Elas ainda são mais fortes que 15 segundos de vídeo.
O único lugar popular que o texto sobrevive é na FOFOCA.
Aliás, uma fofoca forte, quando lida em silêncio, vira um babado ainda mais tenso.
Sei lá… parece que vira um segredo entre quem escreveu e quem leu. Mais do que se alguém só tivesse contado.
Quando o assunto é prazer em produzir conteúdo, o texto é meu campeão.
Eu curto tecer bons parágrafos e subtítulos.
Escrever é tão primeiro lugar que eu já mudei até minha forma de escrever. E mudaria quantas vezes fosse só pelo prazer de ser lido.
Até porque, eu gosto muito mais de ser lido que ser visto falando. Apesar de gostar muito de falar até me perder.
Se você chegou até aqui, vou te falar que essa perda da vontade de escrever é um sintoma ruim pra mim.
Porque eu tenho certeza que só consegui alguma coisa na vida por causa da minha escrita.
Na escola, nas redações do vestibular, até à vida profissional e os projetinhos paralelos, eu só consegui alguma coisa na vida porque sabia escrever.
Ou melhor: porque sabia organizar ideias escritas.
Só que hoje… quem quer escrever num mundo de GPT?
Há pouco tempo, depois de escrever um manual inteiro, me esmerando ali, me perguntaram se eu tinha escrito o tal documento com o “Chat”…
Nada contra! Faço muitas coisas (mas MUITAS) com os “GPTs”, inclusive.
Mas fiquei pensando no quanto que quem é novo escrevendo pode se sentir desacreditado da própria capacidade de escrever um texto por conta da banalidade dos geradores.
E isso nada tem a ver com usá-los ou não. Tem a ver com a confiança das pessoas nas habilidades criativas alheias.
Chegando nessa parte final, me pergunto novamente: quando é que eu perdi minha vontade de escrever?
Não sei mesmo.
E de repente esse exercício até me ajude a voltar a ser regular.
Até porque, talvez seja melhor voltar a cuspir umas palavras escritas antes que essa habilidade que eu pratico desde criança apodreça dentro de mim.
É isso. Até!
